Sempre me intrigou a idéia de drive thru e fast food: comprar comida sem sair do carro e com uma entrega super rápida, parece, a princípio, uma boa solução para a falta de tempo do mundo moderno. Para mim, tem sido cada vez mais comum escutar de amigos para pedirmos um ”ifood”. E parece se tornar cada vez mais um grande esforço para recusar essas ofertas. Isso por que estamos cada vez mais ocupados e com pouco tempo para ir a feira e preparar os alimentos que o arrumar a mesa e o comer juntos exigem. Mas isso nem sempre foi assim. Antes pedirmos comida no celular da maçã, tínhamos que ir atrás da maçã.
Comer nunca foi apenas uma necessidade biológica. As refeições coletivas favoreceram vínculos sociais, tornando alimentos como carne, azeite e bebidas fermentadas símbolos de amizade e festividade. Na Idade Média, comer junto também reforçava relações hierárquicas, de senhores a vassalos.
Desde as civilizações antigas, regras dietéticas e rituais religiosos moldaram o que era considerado puro ou impuro. Com o tempo, surgiram normas de etiqueta à mesa, que transformaram a refeição em espaço de civilidade e distinção social.
A primeira comunidade organizada em torno da comida foi a família. O lar, associado ao fogo e à cozinha, tornou-se espaço central de preparo e partilha. A mesa, desde o século XVII, consolidou-se como símbolo de união familiar, fortalecendo laços em torno das refeições.
Pesquisas atuais mostram que comer junto fortalece não apenas vínculos sociais, mas também a saúde. Entre adolescentes, refeições em família estão associadas a melhor desempenho escolar, maior consumo de alimentos saudáveis e menor risco de deficiências nutricionais. Por outro lado, a solidão e a ausência de companhia estimulam dietas de baixa qualidade, muitas vezes baseadas em fast food.
Nos anos 1950, com os primeiros drive-thrus, o fast food tornou-se símbolo de rapidez e modernidade. O fenômeno globalizou-se, alterando costumes alimentares e deslocando refeições familiares para ambientes externos. A guerra, a indústria e a saída das mulheres da cozinha também contribuíram para a disseminação de alimentos prontos.
Hoje, a pressa urbana transforma o comer em mero ato de reabastecimento. Jovens veem no fast food independência e status, enquanto a individualização das refeições enfraquece o papel da família. A globalização padroniza hábitos, reduz a identidade alimentar regional e amplia o consumo de ultraprocessados.
Apesar dessas mudanças, a refeição em família segue sendo um espaço ideal de afeto, segurança e identidade. Estimular refeições compartilhadas e valorizar alimentos locais pode fortalecer a saúde, a cultura e a segurança alimentar.
P: O que é comensalidade?
R: É o ato de partilhar alimentos à mesa, com significado social, cultural e afetivo.
P: Qual a importância da comensalidade na saúde?
R: Refeições em família estão ligadas a dietas mais saudáveis, melhor desempenho escolar e bem-estar emocional.
P: Como o fast food impactou a comensalidade?
R: Tornou as refeições mais rápidas e individuais, enfraquecendo o convívio familiar à mesa.
P: A comensalidade é apenas sobre o que se come?
R: Não. Mais importante é como se come, com quem se compartilha e o contexto social da refeição.
P: Por que valorizar a refeição em família hoje?
R: Porque fortalece vínculos afetivos, promove saúde e preserva tradições alimentares.