Comensalidade: como os FAST FOODS estão acabando com o comer junto

A origem da comensalidade

Sempre me intrigou a idéia de drive thru e fast food: comprar comida sem sair do carro e com uma entrega super rápida, parece, a princípio, uma boa solução para a falta de tempo do mundo moderno. Para mim, tem sido cada vez mais comum escutar de amigos para pedirmos um ”ifood”. E parece se tornar cada vez mais um grande esforço para recusar essas ofertas. Isso por que estamos cada vez mais ocupados e com pouco tempo para ir a feira e preparar os alimentos que o arrumar a mesa e o comer juntos exigem. Mas isso nem sempre foi assim. Antes pedirmos comida no celular da maçã, tínhamos que ir atrás da maçã. 

Alimentação e sociabilidade

A história da humanidade está profundamente ligada à alimentação. Desde os tempos de caça e coleta, o ato de partilhar alimentos, também conhecido como comensalidade, marcou a evolução social. O domínio do fogo, há cerca de 300 mil anos, transformou o alimento do cru ao cozido, originando a cozinha, considerada o primeiro “laboratório” humano.
 

Comer nunca foi apenas uma necessidade biológica. As refeições coletivas favoreceram vínculos sociais, tornando alimentos como carne, azeite e bebidas fermentadas símbolos de amizade e festividade. Na Idade Média, comer junto também reforçava relações hierárquicas, de senhores a vassalos.

Refeições como rituais

Desde as civilizações antigas, regras dietéticas e rituais religiosos moldaram o que era considerado puro ou impuro. Com o tempo, surgiram normas de etiqueta à mesa, que transformaram a refeição em espaço de civilidade e distinção social.

A família em torno da mesa

A primeira comunidade organizada em torno da comida foi a família. O lar, associado ao fogo e à cozinha, tornou-se espaço central de preparo e partilha. A mesa, desde o século XVII, consolidou-se como símbolo de união familiar, fortalecendo laços em torno das refeições.

Refeições em família e saúde

Pesquisas atuais mostram que comer junto fortalece não apenas vínculos sociais, mas também a saúde. Entre adolescentes, refeições em família estão associadas a melhor desempenho escolar, maior consumo de alimentos saudáveis e menor risco de deficiências nutricionais. Por outro lado, a solidão e a ausência de companhia estimulam dietas de baixa qualidade, muitas vezes baseadas em fast food.

A ascensão do fast food

Nos anos 1950, com os primeiros drive-thrus, o fast food tornou-se símbolo de rapidez e modernidade. O fenômeno globalizou-se, alterando costumes alimentares e deslocando refeições familiares para ambientes externos. A guerra, a indústria e a saída das mulheres da cozinha também contribuíram para a disseminação de alimentos prontos.

Sociedade contemporânea e alimentação

Hoje, a pressa urbana transforma o comer em mero ato de reabastecimento. Jovens veem no fast food independência e status, enquanto a individualização das refeições enfraquece o papel da família. A globalização padroniza hábitos, reduz a identidade alimentar regional e amplia o consumo de ultraprocessados.

Valorização do comer junto

Apesar dessas mudanças, a refeição em família segue sendo um espaço ideal de afeto, segurança e identidade. Estimular refeições compartilhadas e valorizar alimentos locais pode fortalecer a saúde, a cultura e a segurança alimentar.

FAQ

P: O que é comensalidade?

R: É o ato de partilhar alimentos à mesa, com significado social, cultural e afetivo.

P: Qual a importância da comensalidade na saúde?

R: Refeições em família estão ligadas a dietas mais saudáveis, melhor desempenho escolar e bem-estar emocional.

P: Como o fast food impactou a comensalidade?

R: Tornou as refeições mais rápidas e individuais, enfraquecendo o convívio familiar à mesa.

P: A comensalidade é apenas sobre o que se come?

R: Não. Mais importante é como se come, com quem se compartilha e o contexto social da refeição.

P: Por que valorizar a refeição em família hoje?

R: Porque fortalece vínculos afetivos, promove saúde e preserva tradições alimentares.